ENTREVISTAS & CONQUISTAS
5ª Edição: Fevereiro/2011
Marconi Ferreira
Tarde de sexta-feira 11 (não 13), fomos ao Jardim das Oliveiras, descemos algumas escadas e encontramos nosso irmão Marconi. De inicio, nos ofereceu um copo com água e depois um pouco de seu tempo (e do nosso) para nos revelar algumas coisas e ter uma agradável nostalgia em suas palavras.
J: Fale um pouco de como é o Marconi hoje.
M: O Marconi hoje é uma pessoa que não consegue parar em um lugar só, ou seja, não consegue se enraizar, não no sentido negativo de você não criar raízes em nenhum lugar por onde passa, mas me vejo mais como um semeador. Hoje eu ajudo o TLC nacional, no regional, em algumas paróquias, sou professor. Eu procuro sempre dar ordem às coisas, a família tem o seu lugar, o trabalho tem o seu lugar, a vida afetiva tem o seu lugar e a vida religiosa tem o seu lugar também, então, eu procuro não trazer o trabalho pra casa, não levar a família para ambientes onde não deveriam estar, não levar a afetividade para um campo que não seja o dela, organizando sempre as coisas para manter uma vida equilibrada. Então, o Marconi hoje é uma pessoa que busca esta ordem não metódica, mas sadia.
J: Gostaríamos de saber quando e como foi a sua primeira experiência com Deus?
M: Eu cresci em uma família católica, mas meus pais não eram frequentadores, não praticavam a fé católica. Desde pequeno minha mãe sempre me levou à Igreja, “batia o pé” que queria ir, nisso ela me levava e deixava na porta. Era até engraçado que, por volta dos meus 9, 10 anos eu fazia orações com 30 minutos de duração e nessas orações eu sempre pedia para Deus me tornar um super-herói para ter poderes, defender o mundo e etc. Nós tínhamos uma banda secular dentro da comunidade, essa banda cresceu e eu acabei me desligando dela e por conseqüência da comunidade também, mas antes do meu afastamento eu tocava no grupo de jovens, grupo de oração, missas. Depois de um tempo, eu estava jogando vídeo game com meu vizinho, o Alan (irmão da Sandra) e a mãe dele disse que já estava na hora dele ir para a Igreja e como fiquei a tarde inteira junto com ele, eu decidi acompanhá-lo até lá, chegando lá eu descobri que o Alan não estava indo no grupo de jovens e sim na catequese de adultos. Na hora eu pensei: “Catequese é um saco. Já fiz 3 anos” então não vou entrar com ele, mas já que estou aqui vou no grupo de jovens. Nesse dia estava acontecendo a famosa rádio novela do Jorres. Os membros fizeram toda aquela trama e eu achei muito legal, quando terminou o grupo aconteceu algo que me fez ficar, até de uma maneira engraçada, as pessoas começaram a desejar a paz de Cristo e o amor de Maria e as meninas começaram a desejar também e davam beijos na bochecha. Eu pensei assim, “meu, gostei desse lugar. Vou ir à missa domingo”, no domingo no abraço da paz a mesma coisa com as meninas, “um beijo do lado um beijo do outro”, irei novamente na terça e assim foi... comecei a freqüentar no mês de julho de 1999.
Mesmo com esses motivos (os beijos) eu percebi que minha vida já começou a mudar, pois eu falava muito palavrão e fui diminuindo, fiquei um pouco mais calmo. Em setembro do mesmo ano, o Jorres teria um retiro e o ministério de música não estaria e eu me coloquei a disposição pra tocar. Nesse retiro eu tive a minha 1ª experiência com o Espírito Santo e a partir desse dia a minha vida mudou.
J: Quando foi o dia exato que você entrou no Jorres?
M: Eu sei que foi no mês de julho de 1999, já tentei procurar o dia, mas não lembro, já perguntei para os mais antigos como o Junão e a Elielza, se eles tinham na agenda do grupo quando foi o dia da rádio novela, mas ninguém tem.
J: Quais foram suas experiências dentro do Jorres?
M: Foram muitas. Primeiro que eu curtia rock, usava umas camisetas pretas, tinha uma corrente com a mascote do Iron Maiden bem grande e a usava no pescoço, o pessoal zoava comigo dizendo que eu ficaria corcunda, começava a missa eu colocava por dentro da camiseta terminava a missa eu tirava. A 1ª experiência que eu tive foi a de mudar sem que ninguém me pedisse. Hoje nós escutamos as pessoas falando para não fumar, não beber, não fazer, claro que devemos instruir, mas a mudança só acontece quando você percebe que precisa mudar. O outro pode até ajudá-lo a perceber, mas se você não assimila isso não há mudança. Eu parei de beber porque eu sentia que deveria parar, parei de andar como eu andava, parei de escutar o que eu escutava, mas até hoje gosto de rock, mas sou muito mais seletivo. Enfim, a mudança ocorreu porque a minha situação pedia para que eu fosse diferente, ou seja, não poderia estar na Igreja e continuar falando palavrão.
Teve também a experiência da perseverança, pois eu entrei no Jorres em uma época que era extremamente tribulado, tanto interna quanto externamente. Internamente nós éramos conhecidos como, “Em nome do amor”, pois as pessoas entravam no Jorres para arrumar namoro (risos), era uma fase meio decadente do grupo, veja tanto que no 2º encontro que eu fui foram 3 pessoas, Junão, Jú e a Mari (irmã da Jú), então o grupo estava afundando. Externamente nós não tínhamos um bom relacionamento com o restante da comunidade, lembro-me que houve um assalto naquela época e o Jorres foi acusado de facilitar o acesso ao dinheiro roubado, isso acabou gerando atrito com o sacerdote a ponto de serem cancelados os encontros do grupo na Igreja, acabamos fazendo o grupo na casa do Cleber por uns tempos, até aqui em casa também. O fato é que eu conheci a Igreja e o Jorres nu e cru, ou seja, eu não vi só a beleza, eu entrei num sábado pelos beijos das meninas e no outro eu estava vendo o Jorres se acabando, eu realmente nunca fui iludido nessa questão e isso foi bom, porque qualquer escândalo que acontece com padres, envolvendo os membros da igreja não abala minha fé, pois a Igreja é humana também, porém divina. Tive diversas experiências afetivas como namoros e amizades, mas o que marca é justamente este vinculo de amizade, pois o Jorres tinha uma característica essencial que era ir além do encontro do grupo. Fazíamos o famoso café-da-manhã, tinha o acordar aonde íamos à casa do pessoal às 6 da manhã, combinávamos com os pais para acordá-los com buzina, confete, espuma e fazíamos uma bagunça total. Eu lembro que houve um natal que íamos no portão da casa de cada um e gritávamos, “au, au, au, feliz natal”, quando ia ver já tinha umas 30 pessoas, nos reuníamos para jogar bola, vôlei. Então era uma experiência de amizade muito forte, pois partilhávamos nossas vidas, sofríamos juntos. Tínhamos coordenadores diferentes, por exemplo o Junão era muito visionário, já o Cleber era centrado, era algo que dava certo, pois o Junão visionava algo e o Cleber organizava e arquitetava essas idéias, fazíamos coisas além do que era pedido a um grupo de jovens, tínhamos um jornal e o distribuíamos para a comunidade e para arcar com as despesas desse jornal vendíamos latinhas. Montamos um projeto semelhante ao que viria ser o PRODINI, evangelização de rua e os REJs (Retiro Espiritual Jorres) que era muito bom. Nós estávamos inseridos em diversas pastorais, de fato eu aprendi muito essa questão de ser Igreja dentro do Jorres, no calor humano que o Jorres apresentava, pois nos alegrávamos juntos, chorávamos juntos, puxávamos uns as orelhas dos outros e etc.
J: Qual experiência positiva e qual negativa que você que você viveu dentro do JORRES e nunca irá esquecer?
M: Positiva foi o 3º Retiro Espiritual do grupo, foi um negócio de louco, não tenho palavras para descrever, faz doze anos que estou na Igreja e até hoje eu não participei de um aprofundamento/retiro igual aquele. Aconteceu em novembro de 2000 e foram três dias de espiritualidade que nós não conseguimos entender até hoje, costumamos falar que o 3º Retiro Espiritual foi o “pentecostes” do Jorres, até então não havíamos vivido o pentecostes. Foi realmente uma “coisa de louco”. Em relação à experiência negativa, houve uma vez que o Padre censurou duas meninas durante a missa, pois as duas estavam encostadas uma na outra e ele fez um comentário que nós não achamos muito prudente e quando terminou a missa eu e o Junão fomos na sacristia conversar com o Padre e lá dentro foi um “pega pra capar”, o Padre ficou alterado, o Junão começou a chorar e quando o Padre já estava indo embora, na porta da Igreja eu fui atrás do padre e falei algumas coisas pra ele, resumindo foi algo bem tenso. E quando aquilo tudo acabou, eu estava alterado, mas nada em excesso. Quando eu e o Junão saímos da sacristia estava o grupo de jovens inteiro numa parte da Igreja orando e intercedendo, porque realmente foi barra. Depois eu comecei a ter uma crise nervosa e tive que ser ajudado pela Elielza, que me levou até o orelhão e eu liguei pro meus pais para virem me buscar... cheguei em casa e entrei de baixo do chuveiro, eu esmurrava a parede de tanta raiva que eu estava, mas como eu falei, é uma experiência negativa, mas que eu não abro mão mesmo vendo muitas coisas erradas a minha certeza de que a Igreja Católica é Santa continua inabalada.
J: Sabemos também que você foi um dos coordenadores do Jorres, quando foi feito esse convite à você, quem fez esse convite à você e o que é “melhor”, ser coordenador ou atuar como membro?
M: Ocorreram dois fatos: Nós tivemos uma quermesse na comunidade e nessa quermesse existia uma tal de “casa dos monstros” que foi motivo de um grande debate entre os jovens, uns achavam que não era de Deus e por isso eram contra, outros eram à favor. Pois bem o pessoal debatendo e eu quieto só escutando, depois que todos falaram, eu levantei a mão e disse que se nós estamos falando que a casa dos monstros é do demônio ou de quem quer que seja, e nós somos cristãos e não temos a capacidade de criar algo melhor que o demônio, que raio de cristãos nós somos? Acho que a partir desse momento o pessoal já começou a me olhar de uma maneira diferente, como por exemplo, fiquem de olho nesse moleque que ele tem alguma coisa boa para nos dar, e isso foi o primeiro fato. O segundo deve-se a minha aproximação das pessoas que já estavam inseridas na comunidade como o Junão, os Clebers, o Éder que era o que eu estava mais próximo, pois ele coordenava a intercessão do grupo e eu fazia parte. Ai, comecei a participar das reuniões para decidir as coisas do grupo, mas sem ser coordenador e como estava tocando na liturgia nessa época, comecei a ter contato com o Padre e outras pessoas da comunidade e comecei a me inserir nas decisões da comunidade. Em 2001 eu estava no 2º ano de crisma quando ouve um “decreto” de que quem era do crisma não poderia ir ao grupo de jovens, mais por uma picuinha do coordenador da crisma do que pelo próprio crisma (as pessoas), e eu não obedeci, sempre estava no grupo de jovens. Nisso, houve um conselho da comunidade e eu fui chamado para participar, até por causa de uma fofoca que tinha surgido dizendo que eu havia ofendido a secretária da paróquia, algo que não aconteceu. Durante a reunião o Padre começou a falar sobre mim, nisso o coordenador da crisma levantou e disse: Padre não tenho certeza se o Marconi será crismado devido algumas atitudes dele. Então meu pai que estava no conselho, pediu para falar e perguntou ao Padre, “Padre, o que alguém precisa para ser crismado? Não é conhecimento e trabalho pastoral!”, o Padre respondeu, “Sim, é verdade”, e meu pai completou, “o Marconi serve a juventude, a liturgia e o batismo e têm conhecimento”, com isso nós resolvemos os pontos que faltavam da reunião e no fim da reunião o Padre falou a partir de hoje vamos fazer o seguinte, fica o Junão, o Cleber, o Éder, o Mauricio e o Marconi ajudando o grupo de jovens. Eu acabei entrando na reunião teoricamente sem saber seu eu iria ser crismado e sai coordenador do grupo. Para mim Marconi, foi melhor ser coordenador, pois eu servia sempre. Houve uma época em que a Jú achava que eu estava de crista alta e falou pra mim, “Marconi nunca se esqueça que o coordenador é aquele que está à frente, nunca acima” evidenciando que o coordenador deve caminhar com todos os membros, nunca sozinho.
J: Foi do Jorres que surgiu a vontade de ser pregador? Fale um pouco sobre o dom de pregar a palavra.
M: Sim, foi. Como eu tinha dito, eu acabei me aproximando muito do Éder e do Junão. O Junão se tornou um referencial como pregador para mim, pois eu saia muito com o Junão para as pregações que ele iria realizar. Em um segundo momento, houve o 2º REJ e o Éder tinha que fazer uma pregação, durante um momento na intercessão ele falou pra mim que iria pregar e me disse o tema. Quando cheguei em casa comecei a procurar algumas coisas que pudessem ser uteis para a pregação dele e apresentei para ele e ele guardou. Na outra semana ele chega em mim e fala que conversou com o Junão e pediu para que eu pregasse junto com ele, você aceitaria pregar comigo Marconi? E eu disse: sim, quero! Nessa pregação com o tema "Fé", nós fizemos algo bem bacana, pegamos uma jarra e colocamos suco de uva no fundo da jarra e durante a pregação nós falamos: “Se você tiver fé jovem, você poderá transformar a água em vinho”, quando nós falamos isso, o Éder jogou a água na jarra, quando água subiu o pessoal ficou espantado. Então essa foi minha 1º pregação. E se eu já tinha vontade de pregar a partir dali a vontade só cresceu. Eu estava muito afim, lia livros, dois, três capítulos da Bíblia. Em abril então, surgiu a minha segunda oportunidade de pregar. Foi em uma Vigília de preparação para o primeiro TLC da Paróquia São Pedro Apóstolo, e foi uma catástrofe, porque uma semana antes a pregação sumiu, e naquele dia a pregação foi travada eu sei que eu não preguei nada com nada aquele dia, e aconteceu uma coisa que a gente sabe que é errada: “Vigília com Santíssimo exposto”. A pregação foi sem começo, meio e fim, mas ainda bem que o Santíssimo estava lá, porque daí eu disse: “Vamos todos adorar Jesus” e acabou a pregação (risos). E Já quando foi em novembro teve o terceiro retiro Espiritual, faltaram alguns pregadores eu fiz 3, 4 pregações, o Junão o Camarão (Maurício) também. Naquele retiro foi onde o meu ministério deslanchou mesmo. O Espírito Santo me usou de uma forma sem igual. Então foi no Grupo de Jovens que eu comecei, para depois ir para a Paróquia São Pedro e depois ir para fora. E tem aquilo da sombra também. Eu andava sempre com o Junão, com o Éder e quando eles não podiam pregar, eles sempre me mandavam no lugar e foi assim que eu fui construindo meu ministério. E se hoje eu prego eu devo tanto ao TLC quanto ao Jorres.
J: Como é a saudade que você sente do Jorres hoje?
M: É uma saudade madura, pois eu lembro que quando estávamos no Grupo de Jovens, dizíamos: “Vamos ser Jorres para sempre". E no sentido literal dizemos, é isso mesmo que deve acontecer, temos que ser Jorres pra sempre, Jovens Reunidos e Renovados pelo Espírito Santo. E quando eu sai do Grupo de Jovens, foi um choque até pra mim, pois eu não acreditava que isso poderia acontecer, mas conforme nós vamos crescendo outras portas vão se abrindo. Mas o que me faz falta hoje, pelo Grupo de jovens, que é fruto dessa saudade, primeiro é essa questão de proximidade. Tenho amigos em Angra, no Capão, em Minas, no Embu, aqui no Taboão, mas não é a mesma coisa quando se está no Grupo de Jovens, que você liga e diz: “Estou indo aí na sua casa”. Sem gastar gasolina e em 5 minutos você está lá na casa da pessoal. Disso eu sinto falta. Ir à casa de alguém ou você receber alguém na sua casa. Também existe a questão da inocência de sempre ver o bem além do mal. Não que hoje eu não vejo isso, mas na época do Grupo de Jovens era mais sensível, não concreto, mas mais palpável. Até existiam máscaras, mas nós sabíamos quem estava por de trás da máscara, o que às vezes não acontece nas nossas relações mais distantes. Também sinto falta das reuniões, o próprio nome já diz: “Jovens Reunidos...”, o Pe. Lídio fala: “Quando Jesus voltar não nos encontrará unidos, nos encontrará reunidos”. Essa idéia de vamos nos juntar para fazer algo e esse algo é o único que nós temos. Falando só de TLC, hoje estamos buscando Formação de pregadores, formação de líderes, formação espiritual que estamos buscando, unidade do movimento, atitude social que ainda o TLC não tem, causar um impacto social. No nacional congregar os TLCs. Hoje tem TLC em quatorze estados e até agora não conseguimos achar todo mundo. A gente se reúne, mas não é por uma coisa só, “os trabalhadores são poucos, mas a messe é grande”. Não que no Grupo de jovens a messe não seja grande, mas o trabalho é mais focado e eu sinto falta disso.
J: Fale um pouco para nós sobre o “dom da pregação”, e o que representa a pregação no TLC.
M: É até bom você usar esse termo “dom da pregação”, porque a missão de pregar, todos temos. Quanto ao ministério... a um tempo atrás eu escutava uma entrevista do Bernardinho (técnico da seleção brasileira de vôlei) e ele dizia: Quem nasce com dom, faz por natureza. “Eu não nasci com dom, então eu tenho que ralar estudar muito para ser tão bom quanto quem nasceu com dom”. Eu diria que eu nasci com o dom. Desde a época da escola eu fazia os seminários e tudo mais, mas mesmo assim eu ralei. Estudei muito, participei de Congresso da RCC pela Totus Tuus. Uma vez, na São Pedro estava tendo uma semana pós-TLC e o Lambão (vice-presidente do TLC nacional hoje) disse na pregação: Você não vai ao céu por aquilo que você faz, mas por aquilo que você é. O ministério de pregação para mim, já foi essencial, eu não me via sem pregar, mas hoje não vejo mais como necessidade, porque antes de pregador, eu sou filho de alguém, irmão de alguém, amigo de alguém, namorado de alguém. Eu sei viver sem pregar hoje. Mas seria um buraco, porque é o que eu mais amo fazer sem sombra de dúvidas. Principalmente por que quem faz a experiência da pregação sabe, tem dia que você se sente extremamente vazio e no ato de pregar, você percebe duas coisas, primeiro: mesmo vazio Deus age em você, e é quando você tem a plena convicção que não é você quem está falando é Deus. Segundo: você entra vazio e sai cheio porque o primeiro ouvido que escuta a palavra de Deus é o seu. Eu sempre tive isso muito claro pra mim. Se eu sou chamado a pregar sobre a vida de oração, eu me pergunto como está a minha vida de oração. Se for chamado para pregar sobre namoro, eu me pergunto como está a minha vida afetiva. E você colocou a questão da pregação no TLC. Esse ano de 2010 e agora em 2011, a gente trabalhou muito a unidade do TLC na nossa Diocese, pois estava um pouco solto. E eu estava conversando com o Ed Carlos que é um dos coordenadores diocesanos do TLC e ele me disse: “Marconi, estamos conseguindo reunir a galera, estamos fazendo isso e aquilo, mas temos que cuidar da pregação porque é o que acontece dentro do TLC”, não adianta a gente se preocupar com organização e outras coisas mais, pois a mensagem é passada pela pregação. É essa a importância da pregação no TLC, e não só no TLC, mas também na Igreja. Há uma carta de Paulo em que ele diz: “A fé provém da pregação”, por isso hoje no TLC esse cuidado de formar outros pregadores que não simplesmente saibam pregar, mas saibam o que pregar. Pedro e Paulo não tinham 100% de harmonia no que pregavam, mas nunca era contraditório. E temos visto muitas pregações que contradizem os ensinamentos de Jesus e da Igreja.
J: Como você utiliza a filosofia no seu trabalho como professor e na sua missão como cristão?
M: Eu procurei a filosofia pelo ser Cristão e mais outros três motivos. Uma professora chamada Sônia e ela gostavam muito de mim e ela perguntou o que eu queria ser, e disse para eu ser professor de Filosofia. Outro motivo é que eu comecei a conviver com pessoas que eram formados em Filosofia, amigos seminaristas e o João Cláudio que fez Filosofia antes de mim. E a minha vontade quando eu entrei na filosofia era de entender a cabeça de quem não acredita em Deus. Porque quando normalmente a gente quer provar para alguém a existência de Deus, o amor de Deus, a gente parte daquilo que a gente tem e normalmente isso não dá certo. Então você tem que partir daquilo que a pessoa acredita do que ele tem. Lembro que eu disse isso para o meu professor e ele me disse: “Vamos ver o que você consegue”. Na Filosofia eu me encontrei, esse amor pela sabedoria. E a Bíblia nos fala que Jesus é a Sabedoria encarnada. Nela eu encontrei esse desejo de conhecer, de saber. Sou católico de criação, mas ser católico de criação não me faz ser católico sem fundamento. A Filosofia pede isso, que você tenha fundamentos. A minha Fé é uma fé de fundamentos. Nós somos cristãos, mas precisamos entender que existem os não cristãos. E amá-los na medida daquilo que Deus nos pede e trazer isso para os valores Cristãos. No meu trabalho ela me ajuda na seguinte questão: Como cristão, nós temos que evangelizar e como professor, temos que educar. É claro, preciso levar minha fé para dentro da sala de aula, mas ao mesmo tempo preciso ter muita prudência nisso, pois é uma escola não é uma Igreja. No meu trabalho eu posso não passar a Fé Cristã, mas eu passo o valor Cristão. Antes de me preocupar se a pessoa é Católica ou não, preciso me preocupar de ensinar a ela os valores humanos, pois dessa forma o nosso mundo será um mundo melhor. Claro que eu gostaria que todos fossem cristãos/católicos, mas o nosso mundo carece de valores humanos na atualidade. Eu sigo os valores Cristãos, mostrando que esses valores são filosóficos e também humanos.
J: Deixe uma mensagem para os jovens da atualidade do Jorres:
Edição, Redação, Fotos e Idealização: Ministério Jorres de Comunicação
Deus abençoe a todos os nossos leitores, ;D


Obrigado por se lembrarem de mim, por me trazer ao coração minha história e por darem seguimento a obra JORRES! Deus abençoe
ResponderExcluirFicou demais essa entrevista! Ensinou-me muita coisa, ;D Obrigado pelo seu testemunho, irmão. Nos ensina a continuar nesse caminho de Cruz com a certeza da vitória.
ResponderExcluirDeus te guarde!